Técnicas e diagnósticos radiológicos de odontopatias em eqüinos – Dr. Marco Aurélio Gallo

Dr. Marco Aurélio Gallo
Médico Veterinário, radiologista de equinos desde 1986, MSc.
MV –  Autônomo
Contato: gallo_rx.vet@terra.com.br

1. Introdução – A avaliação radiográfica do crânio e mandíbula dos equinos é uma importante ferramenta de auxílio para o diagnóstico, prognóstico e monitoramento dos problemas orais nos eqüídeos, tanto para o clínico de campo, quanto para o especialista na área odontológica. As imagens radiográficas geram um excelente contraste entre os tecidos mineralizados (esmalte dentário e estruturas ósseas) e o gás (contido em estruturas cavitárias do crânio como os seios paranasais). Indica-se solicitar o exame radiológico nos casos de malformações congênitas ou adquiridas; alterações do número ou de posicionamento dentário; processos infecciosos dos dentes, mandíbula, seios paranasais; processos traumáticos; disfunções oclusais; monitoramento pós-correção, trans ou pós operatório.

2. Abordagem Radiográfica – Equipamentos utilizados – os aparelhos de raios-x portáteis, que trabalham em uma zona de 70 a 90 kV, já são suficientemente adequados para uma boa abordagem radiográfica, no que se refere ao seu poder de penetração detalhe radiográfico, contudo, os aparelhos de maior potência fixos (os de 100 até 150 kV ou mais potentes), principalmente os presos no teto, facilitam e agilizam o posicionamento radiográfico, melhorando ainda mais a qualidade da imagem. A contenção ideal para o procedimento é aquela que restringe ao máximo os movimentos de cabeça, pescoço, língua, tosse, relincho, e outros, ou seja, aconselhamos a sedação profunda ou ainda melhor, anestesia geral,principalmente para as técnicas oclusais. Em potrinhos pequenos ou em mini-pôneis, podemos posicioná-los em decúbito lateral. As incidências radiográficas mais utilizadas são as Látero-Laterais bilateralmente, as Dorso-Ventrais ou Ventro-Dorsais, as Oblíqüas bilateralmente e as Oclusais ou Intra-Orais, sendo estas últimas as ideais no transoperatório. Imagens com maior penetração – radiografias mais escuras, melhores para avaliardentes propriamente ditos (o esmalte dentário que é a substância mais radiopaca do organismo animal) e as técnicas com menor penetração – radiografias mais claras, melhores para avaliação dos seios paranasais, osso nasal e incisivo, arco zigomático ou ainda para técnicas oclusais (visualização parcial/individual – hemi-arcadas). A incidência Látero-lateral proporciona uma visão panorâmica, enquanto que as incidências Oblíquas facilitam o reconhecimento da arcada comprometida. A visualização das lâminas duras dos dentes em estudo é o principal sinal de saúde dentária, da arquitetura dentária preservada. A sua ausência é o maior sinal de problemas.

3. Aspectos anatômicos – Os ossos incisivo e nasal, órbita, seios para nasais são aspectos radiográficos normais e referências anatômicas importantes, para os dentes e estruturas correlacionadas. Com relação á posição dos dentes ao longo da face dos equinos, pode-se utilizar como referências externas as seguintes estruturas anatômicas externas: Na maxila a comissura nasoincisiva  (2° pré molar superior); a porção rostral da crista facial (transição pré molar/molar e septo entre os seios maxilar rostral e caudal); o ângulo medial do olho na crista facial do osso zigomático (3°molar). Na mandíbula a comissura nasoincisiva  também é uma referência (2° pré molar superior), porém, no ramo horizontal da mandíbula; a porção rostral da crista facial no ramo horizontal da mandíbula (transição pré molar/molar ); a incisura vascular localizada no ângulo da mandíbula (3° molar inferior).

4. Imagens normais- Dos incisivos, caninos, pré-molares e molares de potrinhos, animais jovens e mais velhos(Figura 1)

Potro de 2 amos de idade: radiografia odontológica

Cavalo de 12 anos de idade: Imagem radiológica investiga dentes incisivos, caninos e pré-molares

5. Anormalidades – Podem ser diagnosticados casos de  bragnatia, prognatia, polidontia, oligodontia, anadontia, microdontia, infecções dentárias /periapicais, sinusites relacionadas a dentes superiores, fraturas de mandíbula e tumores. conceitos serão elucidados nas projeções das imagens.

6. Conclusões – A abordagem radiológica dos dentes e estruturas relacionadas, para a espécie eqüina, assume importante e singular papel no auxílio diagnóstico, na detecção precoce ou tardia, dos mais variados problemas, direcionando e monitorando o tratamento, aprimorando também o prognóstico, na recuperação da função, da estética, estimando custos de tratamento e finalmente como medida profilática, avaliando riscos quando anormalidades são visualizadas.

Este artigo é uma compilação dos trabalhos apresentados pelo Dr. Gallo no VI Congresso Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (Mini-curso de Odontologia Eqüina) – 28/07/2004 – Indaiatuba – SP. e no VII Congresso Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária (II Mini-curso de Odontologia Eqüina) – 11/09/2006 – Santos – SP.